Dúvidas

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Caso ela seja selecionada, será publicada, em breve, aqui no blog.
Agradeço a sua participação.
Céu Marques

Dúvida de Leandro

1.Céu, qual a diferença entre complemento nominal e o objeto indireto das orações que possuem verbo TDI? Ex: Tenho necessidade de brincar. Faço a pergunta “tenho o que?” e descubro o objeto direto “necessidade”, aí faço a pergunta ” necessidade de que” e achei que “de brincar” fosse objeto indireto, mas é complemento nominal. Como classifico adequadamente um temo preposicionado que vem após o objeto direto? Confundo complemento nominal, objeto direto e indireto, além de adjunto adverbial.

Resposta: Leandro, o objeto indireto refere-se a um verbo e o complemento nominal refere-se a um nome. Veja alguns exemplos: 1. Tenho necessidade de amor. “De amor” completa o sentido de “necessidade” (nome/substantivo). 2. Necessito de amor. “De amor” completa o sentido do verbo “necessitar”. E mais: 1. Tenho confiança em ti. “Em ti” completa o sentido de “confiança” (nome/substantivo). 2. Confio em ti. “Em ti” completa o sentido do verbo “confiar”.

Por Céu Marques


Dúvida de Milton Moreira 

1. O cidadão criticou ao governo. Alguém pode me dizer se a construção está errada?

Resposta: A construção está errada. A forma correta é “O cidadão criticou o governo”. O verbo “criticar” é transitivo direto. A sua dúvida acontece, porque o substantivo “crítica” exige a colocação da preposição. Veja: Fizeram críticas à ação política dos Estados Unidos. Outros exemplos: Minha mãe criticou a conduta da professora. / Minha mãe fez críticas à conduta da professora. O delegado criticou a postura do advogado. / O delegado fez críticas à postura do advogado.

Por Céu Marques


Dúvida de Sérgio Fernandes 

1. Sou um seguidor da sua página e gostaria de parabenizá-los pela ideia genial de divulgar a língua portuguesa através deste canal de comunicação. Tenho uma dúvida quanto ao verbo perdoar. Qual a forma correta? “Me perdoe. Me perdoa. Perdoa-me. Perdoe-me.” Obrigado pela atenção.

Resposta: De acordo com a norma culta, não se deve iniciar frases com pronomes oblíquos, portanto vamos eliminar as duas primeiras. As outras duas estão corretas: Perdoa-me (tu) / Perdoe-me (você).

Por Céu Marques


Dúvida de Verônica Bevilaqua

1. Olá, professora Céu! Gostaria de saber se a seguinte frase está correta: “Fico no AGUARDO!” A palavra “aguardo” é verbo e também substantivo? Está na moda e já ouvi em muitos contextos.

Resposta: Aguardo (verbo) e aguardo (substantivo) são dois termos que existem. No Brasil, é muito comum o uso de “aguardo” como substantivo, significando ato ou efeito de aguardar ou atitude de quem aguarda. Justamente por isso não me parece incorreto escrever “fico no aguardo”, porém é preferível, especialmente em Portugal, usar as expressões “fico a aguardar” ou “aguardo resposta”.

Por Céu Marques


Dúvida de Ludmila Prado

1. Olá!! É certo dizer “Curta minha página!” ? Ou “se você gostou, curta.” Vejo tanta gente usando “curte” para esses casos.

Resposta: “Curta” e “curte” as duas formas estão corretas, sendo que uma equivale ao tratamento “você” e a outra, equivale ao tratamento “tu”. Veja: Curta (você) a minha página ou curte (tu) a minha página. O exemplo que você menciona (“se você gostou, curta”) está correto, pois o verbo está de acordo com o tratamento “você”. Poderia também ser escrito da seguinte forma: “se tu gostaste, curte”.

Por Céu Marques


Dúvida de Denise P.

1. Olá Professora Céu, por favor gostaria de saber se é correto o termo presidenta? Ou presidente? Muito obrigada, adoro suas orientações no Facebook. Abraços.

Resposta: O substantivo “presidente” pode ser classificado como uniforme e comum de dois gêneros (O presidente / A presidente) ou como biforme, apresentando a terminação –a no gênero feminino (presidenta). Portanto, pode-se falar: “a presidente” ou “a presidenta”, sendo corretas ambas as expressões.

Por Enri Kikinho


Dúvida de Fernando Nassar

1. Se alguém é “levado”(verbo levar), porque costuma-se dizer “pego“, ao invés de “pegado“?

Resposta: No português brasileiro, “pegar” é um verbo abundante, apresentando duplo particípio: o regular (“pegado”), usado após os auxiliares “ter” e “haver”, e o irregular, mais breve (“pego”), empregado após “ser” e “estar” (“Ele foi pego pela polícia, a qual o tinha pegado em flagrante”). No português europeu (norma lusitana), o verbo “pegar” possui apenas o particípio regular, utilizado após qualquer auxiliar: “Ele foi pegado pela polícia”.

Por Enri Kikinho


Dúvida de Dé Cerqueira

1. Céu, sua página é muito boa, bem esclarecedora, e eu tenho uma dúvida: sempre usei a expressão “repetir O ano“, agora vejo todos usarem “repetir DE ano“; me parece que a segunda opção esteja errada, já que é um verbo transitivo direto.

Resposta: “Repetir o ano (letivo)” está correto, pois o verbo “repetir” é transitivo direto, como você observou justamente. Esse verbo, na acepção de “ter de cursar  outra vez após reprovação”, também pode ser empregado intransitivamente (“O aluno repetiu”). A expressão “repetir de ano”, considerada como um italianismo, está incorreta em português, assim como a antônima “passar de ano”, tratando-se de VTD nesse caso também (passar o ano = ser aprovado).

Por Enri Kikinho


Dúvida de Mari

1. Estou escrevendo um conto, e me surgiu a dúvida quanto ao uso do traço e do travessão na narrativa. Li em um artigo há um tempo, que o travessão e o traço não é muito reconhecido pelos escritores nem pelas editoras, isso é levado em conta ou meu texto ficaria mais fácil de compreender com o traço nas falas dos personagens? Atenciosamente.

Resposta: O travessão (—), empregado basicamente para indicar a mudança de interlocutor nos diálogos ou para destacar palavras, expressões ou frases, é substituído em vários textos pela “meia-risca” ( – ), também chamada de “meio-traço”, sendo menor que o travessão e maior que o hífen (-). Na escrita, a meia-risca revela-se mais prática e elegante que o travessão. 

Por Enri Kikinho


Dúvida de Karina Rosa

1. Oi, Céu. Tudo bem? Meu nome é Karina e tenho uma grande dúvida sobre as palavras “chego” e “pego“. Eu falava muito “chego”, mas um dia me corrigiram e falaram que não existe. E a palavra “pego”, existe??? Muito obrigada!

Resposta: “Chego” é a primeira pessoa do singular do presente do indicativo de “chegar” (“Eu chego”), cujo particípio passado é “chegado” (“Eu tinha chegado”; nunca: “Eu tinha chego”!). A palavra “pego” pode ser forma verbal ou substantivo. Como flexão verbal, é a primeira pessoa do singular do presente do indicativo de “pegar” (“Eu pego”). No português brasileiro, também é o particípio breve (irregular) de “pegar”, pronunciado com “e” tônico fechado ou aberto (“pêgo/pégo”) e usado após os auxiliares “ser” e “estar” (após “ter” e “haver”, usa-se “pegado”: “Ele foi pego pela polícia, a qual o tinha pegado em flagrante”). No português europeu (norma lusitana), “pegar” possui apenas o particípio regular: “pegado”, utilizado após qualquer auxiliar (“Ele foi pegado em flagrante”). Enquanto substantivo masculino, “pego” (com “e” tônico aberto: “pégo”) é sinônimo de “pélago” e indica o ponto mais fundo de um lago ou de um rio; em sentido figurado, pode equivaler a “abismo” ou “voragem”.

Por Enri Kikinho


Dúvida de Tiago Souza

1. Olá Céu, tudo bem? Antes de mais nada, parabéns pelo conteúdo! O mundo (pelo menos o Brasil… rs) seria um lugar melhor para se viver se todos utilizassem a língua portuguesa da maneira correta… rs A minha dúvida é a seguinte: Por que que a palavra úmido se escreve com “i” e umedecido se escreve com “e”? (e não umidecido?) Essa dúvida me persegue há anos, ela surgiu quando eu estava desenvolvendo uma embalagem de lenço umedecido para um cliente, em uma agência de publicidade que eu trabalhava. Já mandei essa dúvida para o Pasquale, para as faculdades daqui de Campinas-SP… e nada! Será que você vai matar a minha curiosidade? rs Obrigado e mais uma vez parabéns!

Resposta: Apesar de serem palavras cognatas, “úmido” e “umedecido” diferem na grafia da segunda sílaba (mi/me) por questões etimológicas (ligadas à história das palavras). O adjetivo “úmido” deriva diretamente do latim “humidus”, enquanto “umedecido” é o particípio de “umedecer”, derivado por sufixação de “umedo” (mais o sufixo verbal -ecer, formador de verbos com sentido incoativo), forma presente no português arcaico como perfeito sinônimo de “úmido”. Vale observar que, no português europeu (norma lusitana), foi conservado o “h” inicial (de origem latina) em todas as palavras da família: húmido, humedecer, humidificar (umidificar, derivado de “úmido” + sufixo verbal -(i)ficar, que exprime a ideia de “fazer, tornar”) etc. 

Por Enri Kikinho


Dúvida de Nath

1. Olá! Boa Tarde! Precisando de ajuda. A seguinte frase: “Eu não estou com ninguém” é correta? Falo do ponto de vista da língua portuguesa, porque sei que pela lógica duas partículas negativas ( não – ninguém) geram uma positiva, ou seja, significa que estou com alguém. Mas em relação a linguagem, essa frase está correta? No caso indicando que estou enfatizando estar sozinha, ou o correto seria ” Eu não estou com alguém” ? Aguardo resposta, e desde já muito obrigada!

Resposta: Pela lógica, duas partículas negativas geram uma positiva, mas o uso de duas formas de negação, em português como em outras línguas, tem valor enfático e serve para reforçar a negativa. Vale observar que a dupla negativa se caracteriza pela presença do advérbio “não” em primeiro lugar e de pronomes indefinidos com sentido negativo em segundo lugar; assim, a frase “Não estou com ninguém” está correta. Caso esse pronome indefinido com valor negativo surja em primeiro lugar (e em realce na frase), nunca se deverá usar o advérbio “não”: “Com ninguém eu estou”. O pronome “alguém” (pronome indefinido substantivo) não tem sentido negativo, mas vale notar que “algum/alguma”, como pronome indefinido adjetivo, poderá assumi-lo se for posposto ao substantivo: “Eu não estou com pessoa alguma” (“Eu não estou com nenhuma pessoa/com ninguém”).

Por Enri Kikinho


Dúvida de Azuil Vasconcellos

1. Por que a palavra “designa” (e outras semelhantes) deve ser lida “desiguina” dando som tônico ao G que nem sequer forma sílaba? de – sig – na. Na sílaba o G é que alguns chamam de mudo e tem o som decrescente. Ele não forma sílaba e jamais seria sílaba tônica resigna, impregna, etc.

Resposta: Trata-se de um fenômeno exclusivamente fonético (sem respeitar, portanto, à ortografia da língua portuguesa!), bastante comum no sotaque brasileiro: chama-se “anaptixe”, que consiste na intercalação da vogal “i” (sempre átona, logicamente, sendo inexistente na escrita) entre duas consoantes da palavra (geralmente separadas na silabação), principalmente por razões de eufonia. Assim, “advogado” soa como se estivesse grafado “adivogado” (lembrando que nunca deverá ser escrito com esse “i”!), “segmento” é homófono de “seguimento”, “designa” soa como “desíguina” (foneticamente, parece uma palavra proparoxítona com quatro sílabas, mas sabemos que, na realidade, trata-se de um trissílabo paroxítono: “de-sig-na”) etc. Vale observar que essa anaptixe exclusivamente fonética não ocorre no sotaque do português europeu.

Por Enri Kikinho


Dúvida de Daiane Clemente

1. Olá! gostaria de saber quando devo usar mais ou mas, eu me perco muito nisso. Obrigada.

Resposta: O termo “mas” funciona principalmente como conjunção coordenativa adversativa; indica uma oposição ou uma limitação, sendo sinônimo de “porém, todavia”: “Ele gostaria de comprar aquele carro, mas não tem bastante dinheiro”. Antecedido de frase negativa, pode ser reforçado por “sim”: “Esse termo não funciona como substantivo, mas sim como adjetivo”. Indica adição na expressão correlativa: “não só……mas também”. Pode ser usado como substantivo masculino de dois números (o/os mas) para se referir a um defeito, um problema, uma objeção, uma dificuldade (Há sempre um mas = Há sempre uma dificuldade, um impedimento), como na expressão: “nem mas nem meio mas” (fórmula que expressa recusa total a qualquer objeção ou restrição). Em função de advérbio, dá ênfase ou reforço a uma afirmação: “Ele é esperto, mas muito esperto”.

O termo “mais” exprime uma noção de maior intensidade ou quantidade; funciona essencialmente como advérbio de intensidade (intensificando verbos, adjetivos ou outros advérbios: “trabalhar mais”, “mais eficiente”, “mais frequentemente”) ou como pronome indefinido (quantificando substantivos: “mais coisas”), sendo antônimo de “menos”. Como conjunção aditiva, é usado nas adições: “Três mais dois são cinco”. Como substantivo masculino (o mais), pode assumir três significados: “a maior parte, a maior quantidade” (“Ele fica o mais do dia a brincar” / “Isto é o mais que consigo fazer”); “o resto, o restante” (“Quanto ao mais, não deram explicação”); é o nome do sinal da operação de adição (+). No plural, “os mais” pode significar “os demais, os outros, os restantes”. Numa linguagem muito coloquial, “mais” pode ser usado como preposição, no sentido de “com” (Saiu mais a irmã), uso desaconselhável na norma culta.

Por Enri Kikinho


Dúvida de Paula Motta Dorigo

1. Oi, de vez em quando faço cartazes para nossa igreja e os pastores insistem em colocar sob a foto do casal a frase: Pastores locais me dói nos ouvidos. Já tentei explicar que não pode ser assim já que, local se refere a um só ligar e locais a vários. Me ajude a colocar isso de forma correta e bonita por favor?

Resposta: Não se trata de “pastores do local”, mas sim de “pastores locais”. Nesse caso, “local” não funciona como substantivo (no sentido de “localidade, sítio”), mas sim como adjetivo, cujo significado é “respeitante ou pertencente a um determinado lugar” ou “que se limita a uma área ou a uma região”. A expressão “pastores locais” está correta, pois o adjetivo “local” (comum de dois gêneros) concorda em número com o substantivo antecedente ao qual se refere: “pastores”, plural de “pastor”. Mais um exemplo: “igrejas locais”.

Por Enri Kikinho


Dúvida de Diana Coutinho Pimentel

1. Fiz uma prova que não oferece o gabarito das questões. Gostaria de saber se nesse caso se faz necessário o uso de crase: julgar a revelia ou julgar à revelia. Muito obrigada.

Resposta: Ocorre crase na expressão: “julgar à revelia”, sendo “à revelia” uma locução adverbial que significa “sem comparência (em juízo) da parte revel” / “sem a presença ou o conhecimento do principal interessado”. O substantivo feminino “revelia”, além de indicar atitude de revel, sendo sinônimo de “rebeldia”, é usado como termo jurídico para se referir à situação em que o réu não comparece ao próprio julgamento ou não contesta a acusação proposta contra ele. A locução adverbial “à revelia” pode significar também “ao acaso, à toa, ao deus-dará” (“Deixou o caso correr à revelia” = “Abandonou o caso, não se importando com o que se ia passando”). Por extensão de significado, a locução prepositiva “à revelia de” passou a ser usada até fora do âmbito jurídico na acepção de “sem o conhecimento (ou a presença) de”: “Ele marcou a prova à revelia dos alunos”.

Por Enri Kikinho


Dúvida de Thiago de Jesus Correia

1. Admirá-lo ou admira-lo!? Sempre fico em dúvida com relação a utilização ou não do acento agudo nesse tipo de palavra. Poderia esclarecer essa minha dúvida por favor!? Desde já agradeço a atenção. Grato!

Resposta: admirá-lo = admirar (verbo no infinitivo, oxítono) + o (pronome pessoal oblíquo átono); admira-lo = admiras (segunda pessoa do singular do presente do indicativo de “admirar”, “tu admiras”, forma verbal paroxítona) + o. Vale lembrar que os pronomes átonos enclíticos “o, a, os, as” assumem as formas “lo, la, los, las” depois de verbos terminados em -r, -s, e -z, os quais perdem tais consoantes finais. Por conseguinte, o infinitivo “admirar”, antes do enclítico “-lo” torna-se “admirá”, sempre acentuado graficamente conforme as regras, tratando-se de um oxítono terminado em –a.

Por Enri Kikinho


Dúvida de Haroldo Pereira da Silva Porto Júnior

1. Como vai? Tenho uma dúvida: Qual seria o correto, ferreomodelismo ou ferromodelismo. Obrigado.

Resposta: O termo correto é “ferromodelismo” (sinônimo de “modelismo ferroviário”), sendo “ferro-” um primeiro elemento de composição que exprime a ideia de “ferro” (“ferrovia”), enquanto “férreo” é um adjetivo que significa principalmente “feito de ferro” (“via férrea”) ou “contendo ferro” (“águas férreas”). “Ferreomodelismo” está incorreto, nem sequer consta no VOLP (Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa”). Uma boa explicação nos é fornecida pela Wikipédia: “De acordo com as regras de formação de palavras, o primeiro elemento não poderá ser um adjetivo se o segundo for um substantivo. Em outras palavras, “modelismo” é um substantivo, então o primeiro elemento não poderia ser adjetivo (ferreo), mas sim outro substantivo (ferro). Portanto o termo correto é “ferromodelismo”. O primeiro termo “ferreo” caiu no gosto popular devido à associação direta com trem de ferro, e não com o principal material utilizado no hobby, como no caso do plastimodelismo, dando a ideia de miniaturas feitas em metal. Em Portugal, é mais comum a designação “modelismo ferroviário”.

Por Enri Kikinho


Dúvida de Kátia Moura

1. Gostaria que, quando puder, tire uma grande dúvida que me incomoda muito: é garagem ou garage? Costumo escrever com “m” no final, já que vejo dessa forma nos livros, porém, vejo que em muitos portões os moradores escrevem sem o ” m”. Como algumas palavras podem ser duplamente corretas, achei melhor pedir-lhe esta ajuda. Agradeço, antecipadamente. Mais uma vez, parabéns pela sua página. Sou sua fã!!!

Resposta: “Garagem” é a forma aportuguesada da palavra francesa “garage”; seria melhor optarmos sempre pelo aportuguesamento. Na maioria das fontes, “garage” tem remissão para “garagem”; vale observar que os substantivos portugueses terminados em –agem são femininos (a garagem; até a forma não aportuguesada, “garage”, está registrada como substantivo feminino!), diferentemente da maioria dos correspondentes substantivos franceses terminados em –age (le garage), tanto que o uso de “personagem” no gênero masculino (o personagem) é considerado como um galicismo (“le personnage”) e não é aceito por vários gramáticos lusófonos.

Por Enri Kikinho


Dúvida de Juliana Sousa

1. Bom dia, Céu Marques. Tudo bem? Tenho uma dúvida. Quando devemos o usar “eu” e “mim“. Ex: Ele trouxe para “eu” usar. Ele trouxe para “mim” usar. Qual dessas afirmações estão corretas? Desde já a agradeço. Abraços.

Resposta: “Ele trouxe para mim”, mas “Ele trouxe para eu usar”. Após preposição, não se utilizará o pronome pessoal oblíquo tônico (em função de complemento), mas sim o reto, quando esse pronome representar regularmente o sujeito de uma oração reduzida de infinitivo, estando integrado numa construção de infinitivo pessoal: “Ele trouxe para eu usar” = “Ele trouxe para que eu usasse” (transformação da oração subordinada adverbial final reduzida de infinitivo, “para eu usar”, em oração desenvolvida).

Por Enri Kikinho


Dúvida de Sílvia de Cássia Serenini Prado

1. Céu, bom dia! Primeiramente, parabéns! Pelo Blog , pela iniciativa! Sigo e aguardo ansiosamente as dicas diárias. Salvo todas em uma pasta para ” sacar” quando necessário. E é sempre! Tenho me incomodado diariamente ao rezar o Santo Terço pela TV com minha mãe, que tem Alzehimer. Sempre disse, ao recitar o Pai Nosso: ” Perdoai as nossas ofensas….“. Agora ouço de uma maioria:” Perdoai-nos as nossas ofensas….” Não seria redundância? Duas vezes a 2a pessoa do plural? Quando procuro a oração escrita, encontro das duas formas. Você pode me esclarecer?

Resposta: Sua observação está correta, Sílvia. Em “Perdoai-nos as nossas ofensas”, ocorre redundância, tão enraizada, todavia, na oração do Pai Nosso que é considerada mais como reforço estilístico que como vício de linguagem! As opções gramaticalmente corretas são: “Perdoai as nossas ofensas” (a mais comum) ou “Perdoai-nos as ofensas”. Vale observar que, nesta última frase, o pronome oblíquo átono “nos” (da primeira pessoa do plural) pode exercer duas diferentes funções sintáticas (sendo a análise sintática, nesse caso, suscetível de várias interpretações): adjunto adnominal, indicando posse (mais um exemplo: “Roubaram-nos os papéis” = “Roubaram os nossos papéis”); objeto indireto, pois o verbo “perdoar” é bitransitivo (transitivo direto e indireto), regendo o objeto direto de coisa e o objeto indireto de pessoa (“perdoar algo a alguém”).

Por Enri Kikinho


Dúvida de Mauricio Gonçalves

1. Qual é a diferença entre predicativo do objeto e complemento nominal?

Resposta: O complemento nominal (CN) se liga a um nome (substantivo abstrato, adjetivo ou advérbio), completando o sentido dele, e sempre vem antecedido de preposição (exceto se for representado por pronome pessoal oblíquo átono). Esses nomes de sentido incompleto são, geralmente, derivados de verbos transitivos: a compra da carne (compra = substantivo; da carne = complemento nominal. Comprar a carne = verbo + objeto); referente ao aluno (referente = adjetivo; ao aluno = CN. Referir-se ao aluno = verbo + objeto); favoravelmente ao réu (favoravelmente = advérbio; ao réu = CN. Favorecer o réu = verbo + objeto). Funcionarão como complemento nominal:

1) todas as palavras com preposição, dentro da função sintática, que forem pacientes ou destinatários da ação contida no núcleo. Em “a compra da carne”, o termo “da carne” funciona como CN, pois “a carne” é elemento paciente em relação à ação de “comprar” (Alguém comprou a carne). Em “a confiança em nossos amigos”, o termo “em nossos amigos” funciona como CN, pois é elemento destinatário em relação à ação de “confiar” (Nós confiamos em nossos amigos);

2) os pronomes pessoais oblíquos átonos “me, te, lhe(s), nos, vos”, quando possuírem valor de “a alguém”, não provindo essa preposição (“a”) de verbo, mas sim de nome. Em “Tenho-lhe respeito”, o pronome “lhe” funciona como CN, pois “Tenho respeito a alguém”, e a preposição “a” não provém do verbo “ter”, mas sim do substantivo “respeito”. Em “Fui-lhes favorável”, o pronome “lhes” funciona como CN, pois “Fui favorável a eles”, e a preposição “a” está ligada ao adjetivo “favorável”;

3) as orações subordinadas substantivas completivas nominais (OSSCN), introduzidas por conjunção integrante (“que”) sempre precedida de preposição, as quais exercem a função de complemento nominal de um termo (nome) antecedente da oração principal: “Temos confiança em que conseguiremos sucesso” (Temos confiança = oração principal; em que conseguiremos sucesso = OSSCN).

Diferentemente do complemento nominal, o predicativo do objeto (direto ou, mais raramente, indireto) não possui a função de completar o sentido de um nome, mas sim de qualificar o objeto, atribuindo a este uma característica; além disso, não vem necessariamente acompanhado de preposição: “Achei o negócio ótimo” (ótimo = predicativo do objeto direto; OD = “o negócio”). “Chamavam-na de víbora (víbora = predicativo do objeto direto (POD), precedido de preposição (“de víbora”); o OD é expresso por pronome oblíquo átono da terceira pessoa do singular: “a” (enclítico), alterado em “na” após forma verbal terminada em ditongo nasal). “Chamou-lhe de bobo” (bobo = predicativo do objeto indireto (POI), antecedido de preposição (“de bobo”); o OI é representado, nesse caso também, por pronome oblíquo átono enclítico da terceira pessoa do singular: “lhe”).

 Por Enri Kikinho


Dúvida de Débora Castro Cunha

1. Olá Céu, boa tarde! Minha dúvida é a seguinte: qual a forma correta de dizer, obrigada ou obrigado? Penso que como sou mulher, devo responder na forma feminina: obrigada. Está correto ou não? Obrigada,

Resposta: Você está certa, Débora. A regra é bem simples: homem diz “obrigado” e mulher diz “obrigada”. Por exemplo: Maria entrou na sala e disse obrigada ao funcionário. Paulo pegou o cartão e disse obrigado ao atendente.

Por Céu Marques


Dúvida de Jackson Almeida Jr.

1. Olá, participo da sua página no Facebook da Língua Portuguesa. Eu tenho uma grande dúvida sobre o uso do “já“. Como eu não vi ainda nada na página falando sobre, e se tiver, me desculpe, mas eu gostaria de saber se é certo usar a preposição “já” na mesma oração? Exemplo: “Já vou já”. “Já fiz isso já” “Ele já entregou já”. Me falaram que é errado, mas vejo muita gente falando e escrevendo assim, por isso tenho grande duvida. Desde já, agradeço.

Resposta: O advérbio “já”, quando repetido (“já já”), enfatiza a ideia de “logo, imediatamente, sem demora”; seu uso é recomendável apenas numa linguagem coloquial.

Por Enri Kikinho


Dúvida de Andreano Germano

1. Estimada professora, sou fã da língua portuguesa e seu seguidor em sua fanpage, bem como de seu blog. Por onde ando, sempre analiso as frases que estão escritas nos mais diversos lugares. Ontem à noite, ao sair para jantar com a família em uma pizzaria, observei uma frase que lá estava estampada numa parede, a qual dizia: “A melhor maneira de tornar as crianças boas, é torná-las felizes.” A minha dúvida foi acerca da existência ou não da vírgula após a palavra “boas”, uma vez que, numa análise feita por mim, observei que o predicado e o sujeito foi separado por uma vírgula. Se possível, gostaria de uma pequena explicação de sua parte. Obrigado.

Resposta: Sua observação está correta, Andreano: não se pode separar o sujeito do predicado por vírgula (exceto num caso muito específico de sujeito oracional, em frases iniciadas pelo pronome relativo indefinido “Quem” com o valor de “Aquele/a/es/as que”, caso em que o uso da vírgula, todavia, é quase sempre facultativo: “Quem quer, faz” / “Quem quer faz”); a frase por você citada, portanto, deve ser escrita corretamente sem vírgula: “A melhor maneira de tornar as crianças boas é torná-las felizes”. Nesse caso, o emprego da vírgula entre sujeito (A melhor maneira de tornar as crianças boas) e predicado (é torná-las felizes) representa uma licença estilística que alguns escritores tomam para assinalar com maior clareza o fim do bloco de um sujeito extenso, cujo núcleo é “maneira”.

Por Enri Kikinho


Dúvida de Maria Silva

1. Boa noite professora Céu Marques, eu tenho uma curiosidade: gostaria de saber se existe um sinônimo (substantivo/adjetivo) para dar nome a uma pessoa que generaliza as situações em que se relaciona, na realidade seria um adjetivo ou nome (substantivo) que identifique esta pessoa (pessoa do verbo).

Resposta: Uma pessoa que generaliza pode ser definida simplesmente como “generalizador” (nome derivado por sufixação do verbo “generalizar”, ao qual foi acrescentado o sufixo nominal –dor, indicador de agente, geralmente na formação de nomes a partir de verbos), que pode exercer tanto a função morfológica de adjetivo (sendo sinônimo de “generalizante”: “Conceito generalizador dos fatos”) quanto a de substantivo, indicando “aquele ou aquilo que generaliza”: “Generalizador como ele era, esquivava-se de entrar em detalhes”.

Por Enri Kikinho


Dúvida de Armando Micheleto Jr.

1. Caros responsáveis, tenho enormes dúvidas e já tive infindáveis discussões sobre o assunto, portanto gostaria dos devidos esclarecimentos. Já foi incorporado à língua portuguesa o neologismo verbal ELENCAR? Já existe o verbo elencar? Canso de verificar várias publicações, inclusive e principalmente do Poder Judiciário a utilização do substantivo elenco em forma de verbo.

Resposta: O verbo “elencar” existe, sendo derivado por sufixação do substantivo “elenco” (elenc- + -ar, terminação infinitiva que já funciona, na prática, como sufixo verbal, formador de verbos a partir de nomes). Seu significado é “colocar num elenco ou numa lista”, sendo sinônimo de “catalogar, enumerar, listar”: “O presidente elencou os principais desafios do governo para o próximo semestre”.

Por Enri Kikinho


Dúvida de Fábio Martins

1. Pesquisei, mas não encontrei uma resposta satisfatória à minha dúvida: a saudação “bom dia” deve ser escrita com ou sem o hífen? Há uma regra gramatical?

Resposta: A saudação “Bom dia!”, como locução interjetiva, não apresenta o uso do hífen (“Bom dia, meus colegas!”); em função de substantivo composto por justaposição, geralmente antecedido de determinante (artigo, numeral, adjetivo ou pronome adjetivo), é hifenizado e pode flexionar-se em número (bons-dias): “Ele nos desejou um bom-dia tão animador” / “Lembro-me daqueles bons-dias tão animadores por ele proferidos”. Também pode dar-se o caso de “bom dia” não formar uma unidade sêmica, não se referindo ao cumprimento; nesse caso, logicamente, não se empregará o hífen: “Passei um bom dia ontem” (bom dia = simples ocorrência de “adjetivo + substantivo” sem formarem uma verdadeira unidade sêmica, na acepção de “lindo dia”, “dia agradável”).

Por Enri Kikinho


Dúvida de Bruno dos Anjos

1. “Para mim, ela continua no grupo.” Esse “para mim” possui qual função? É adjunto adverbial? Termo explicativo como “ou seja”, “isto é”?

Resposta: Na frase: “Para mim, ela continua no grupo”, esse “para mim” significa “na minha opinião”, exercendo a função sintática de adjunto adverbial de opinião. Se complementasse um adjetivo, “para mim” poderia funcionar como complemento nominal: “Isso foi fácil para mim” (mesmo deslocado em início de frase: “Para mim, isso foi fácil”); até neste caso, todavia, sempre pode ser interpretado como adjunto adverbial de opinião: “Isso foi fácil na minha opinião/no meu parecer”. Segundo alguns gramáticos, o “para mim”, na acepção de “na minha opinião”, pode ser classificado como complemento verbal por extensão de significado, ou seja, como objeto indireto ou “dativo de opinião”. De qualquer modo, ambas as classificações (complemento verbal ou adjunto adverbial) são aceitáveis.

Por Enri Kikinho


Dúvidas de Matheus Zanine  

1. Navegando pelas notícias na internet, me deparei com o seguinte título, de uma matéria: “Praias do Rio e de outras partes do mundo correm risco de serem varridas do mapa.” Fiquei encucado com isso, pois me parece incorreto dizer que “correm risco de serem“. O certo não seria “correm risco de ser“?

Resposta: Nesse caso, o uso do infinitivo pessoal na terceira pessoa do plural, em referência às “praias”, é opcional, portanto não está incorreto: “As praias correm o risco de ser(em) varridas do mapa”.

2. Vejo constantemente pessoas dizendo coisas como “eu cheguei primeiro que ele“. Na minha concepção, quem chega primeiro, chega primeiro. Não existe chegar primeiro que alguém. Nestes casos, o correto seria dizer “eu cheguei primeiro” ou “eu cheguei antes dele”, certo?

Resposta: Sua observação está perfeitamente correta; fala-se: “Eu cheguei primeiro (entre todos)” ou “Eu cheguei antes dele/antes de todos”.

Por Enri Kikinho

 

Comentários

  1. Aline says

    No texto Mudanças (vidas Secas), na frase:
    “Os juazeiros aproximaram-se, recuaram, sumiram-se…”
    Os três verbos apresentam o mesmo sujeito?

  2. Luis Goncalves says

    Voltando à questão colocada por Denise P…. ” gostaria de saber se é correto o termo presidenta? Ou presidente?”

    Deixo-vos aqui uma visão portuguesa sobre este mesmo tema e, gostaria de ter um comentário do artigo que transcrevo de seguida:

    A propósito desta questão recebi o texto que se segue e que reencaminho. Uma belíssima aula de português. Foi elaborada para acabar de uma vez por todas com toda e qualquer dúvida se temos presidente ou presidenta! e porque não, o presidento?

    «A presidenta foi estudanta? Existe a palavra: PRESIDENTA? Que tal colocarmos um “BASTA” no assunto? No português existem os particípios ativos como derivativos verbais.
    Por exemplo: o particípio ativo do verbo atacar é atacante, o de pedir é pedinte, o de cantar é cantante, o de existir é existente, o de mendicar é mendicante… Qual é o particípio ativo do verbo ser? O particípio ativo do verbo ser é ente. Aquele que é: o ente. Aquele que tem entidade. Assim, quando queremos designar alguém com capacidade para exercer a ação que expressa um verbo, há que se adicionar à raiz verbal os sufixos ante, ente ou inte. Portanto, a pessoa que preside é PRESIDENTE, e não “presidenta”, independentemente do sexo que tenha.
    Diz-se: capela ardente, e não capela “ardenta”; estudante, e não “estudanta”; adolescente, e não “adolescenta”; paciente, e não “pacienta”.
    Um bom exemplo do erro grosseiro seria: “A candidata a presidenta comporta-se como uma adolescenta pouco pacienta que imagina ter virado eleganta para tentar ser nomeada representanta.
    Esperamos vê-la algum dia sorridenta numa capela ardenta, pois esta dirigenta política, dentre tantas outras suas atitudes barbarizentas, não tem o direito de violentar o pobre português, só para ficar contenta”.»

  3. Rosana says

    Duvida sobre Subordinadas conformativas.

    Fez conforme o combinado.
    Não fez conforme o combinado. (continua sendo classificada como conformativa ou para ser adversativa?)
    Obrigada

  4. Rosária Vidal says

    Boa noite professora Céu,

    Gostaria de obter mais informações sobre crase, sempre tenho dúvidas.
    Não conseguir achar aqui no seu blog e no Facebook.

    Seria possível você me ajudar?

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