Gramaticol – Por Jô Souza

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GRAMATICOL®
gramaticina 250 mg
ácido gramatilício 150 mg
 
Responsável técnico: Jô Souza

► FORMA FARMACÊUTICA E APRESENTAÇÃO: 
Cápsula: Embalagem contendo 20 cápsulas.

► COMPOSIÇÃO: 
Cada cápsula de Gramaticol contém:
gramaticina…………………………………………………….250 mg
ácido gramatilício…………………………………………….150 mg
excipientes q.s.p. …………………………………………1 cápsula
(bom senso, respeito, informação, educação e amor).

► INFORMAÇÕES TÉCNICAS:
Gramaticol é formado por um composto concentrado decorrente da combinação da gramaticina e do ácido gramatilício (substâncias extraídas da gramateira) – muito rico em propriedades gramaticoides contendo um elevado teor informativo e altas doses de enriquecimento vocabular.
A gramaticina possui em sua fórmula um agente anti-ignorância que tem a função de defender e fortalecer a área do conhecimento, inibindo o surgimento de distúrbios de ordem linguísticas, como: “perca de tempo”, “eu vi ela”, “fazem quatro dias”.
Já o ácido gramatilício possui atividade estimulante, induzindo a mente a produzir uma forma de linguagem compreensível, com a redução e o controle dos níveis de toxidade das enfermidades vocabulares crônicas conhecidas como gerundismos, pleonasmos e ambiguidades.

► INFORMAÇÃO AO PACIENTE
AÇÃO ESPERADA DO MEDICAMENTO:
A combinação da gamaticina e do ácido gramatilício – dois poderosos componentes gramatiterapêuticos – resulta num eficaz mecanismo de proteção que atua no centro cerebral, ativando uma região responsável pelo pensamento e raciocínio, além de beneficiar indiretamente os usuários passivos, pois ameniza os desconfortos e riscos causados aos olhos e ouvidos de terceiros. Se nas primeiras dosagens, o indivíduo for capaz de distinguir o uso de “mais” e “mas”, “onde” e “aonde”, “mau” e “mal”, é sinal de que o remédio está agindo na eliminação dos agentes infecciosos. Vale ressaltar que o diagnóstico precoce evita o comprometimento da fala e o atrofiamento dos neurônios.

► CUIDADOS DE ADMINISTRAÇÃO: 
– A cápsula deve ser engolida com quantidade suficiente de boa vontade para permitir a correta deglutição da informação;
– Siga a orientação do bom senso, respeitando sempre a crase, a pontuação, a regência e o vocativo;
– A ingestão de Gramaticol com outras substâncias pobres em gramaticoides causa intoxicação, notadamente pelo surgimento concomitante de “há” e “atrás” no organismo lingual.

► INTERAÇÕES MEDICAMENTOSAS: 
Alguns efeitos produzidos pelos princípios ativos podem ser potencializados com o hábito da leitura (ler também é um santo remédio!). Para facilitar a administração da dose, as cápsulas podem ingeridas antes, durante ou imediatamente após o consumo de uma boa gramática.

► INTERRUPÇÃO DO TRATAMENTO:
Não interrompa o tratamento em hipótese alguma para não ficar “anCioso”, nem o substitua por outro alternativo (porque não é uma boa “idéia”). Só troque o tratamento se tiver uma ideia saudável para empregar o pronome adequado em: “Vem pra Caixa TU também.”

► CUIDADOS DE CONSERVAÇÃO: 
O produto sempre será conservado mesmo exposto às condições mais intempéries. Aliás, com uma exceção: sempre escreva “exceção”, do contrário, significa que a medicação foi conservada de maneira incorreta e perdeu suas características originais, não surtindo o efeito desejado.

► PRAZO DE VALIDADE: 
Este medicamento tem prazo de validade atemporal. Quem usa Gramaticol sabe que atemporal é um adjetivo usado para se referir a algo ou alguém que não é afetado com a passagem do tempo, ou seja, permanece válido em qualquer época ou tempo, independentemente de quaisquer circunstâncias e/ou tendências. Portanto, nunca expira!

► EFEITOS COLATERAIS: 
Foram constatados graves efeitos colaterais apenas quando houve forte propensão a barbarismos, aversão aguda à acentuação, além de exacerbada intolerância à concordância e desapego severo à ortografia. Deste modo, o uso deverá ser descontinuado devido ao aparecimento de reações desagradáveis, das quais se destacam: preguiça, negligência e incapacidade de raciocínio.

► INDICAÇÃO: 
Gramaticol é indicado no tratamento intensivo para combater o vírus gramaticida – um agente estranho e desinformado que age matando as defesas do sistema imunológico gramatical – causando a doença vulgarmente conhecida como gramaticídio, deixando vulnerável um dos mais importantes órgãos do corpo humano: a língua – o que é altamente prejudicial à boa saúde da comunicação.
Também auxilia no controle das doenças que afetam os portadores da “falsa dislexia”, recebendo esta nomenclatura, pois, mesmo não sendo diagnosticadas com o transtorno, as pessoas acometidas pelo vírus têm um comportamento disléxico – com sintomas de alto grau de nocividade à língua intoxicada caracterizados pelo modo insalubre de se comunicar, tais como: escassez de vocabulário, omissão, junção, separação, acréscimo e troca de letras, verificados em pacientes que antes de serem tratados com o Gramaticol apresentavam algumas das seguintes alucinações patológicas: seje, menas, com migo, concerteza, porisso, quizer, geito etc.

► CONTRAINDICAÇÃO:
Gramaticol não deve ser utilizado por pessoas que apresentam alguma reação alérgica a regras e exceções, hipersensibilidade conhecida à norma culta e falta de amor à língua portuguesa, bem como é contraindicado em caso de suspeita de total falta de discernimento do que é certo ou errado.

► POSOLOGIA: 
A dose e a duração da terapia estão relacionadas com o agravamento do caso (seja reto ou oblíquo) e a extensão da deficiência de gramaticina e ácido gramatilício no organismo. Se a pessoa faz uso do acento grave da crase antes de verbo e palavra masculina; coloca cedilha (ç) antes de “e” e “i”; separa, com vírgula, o verbo do sujeito e não compreende a diferença entre “a gente” e “agente”, então a administração de Gramaticol dever ser de uma cartela inteira com 20 cápsulas todos os dias, ininterruptamente, de preferência até o fim da vida.

MODO DE USAR: 
Logo pela manhã, acorde dando um “bom dia a todos”, mas não faça o uso concomitante com o acento e evite o que poderia ser grave. Se até o fim da noite persistir a vontade de conjugar verbo com o “mim”, eleve a dosagem prescrita imediatamente e/ou troque por outra medida preventiva-pronominal com maior eficácia: “EU”. Assim a cura para os males que afligem a língua será alcançada pela palavra, porque “Palavras agradáveis são como favo de mel: doces para a alma e medicina para o corpo.” Pv 16:24

SUPERDOSAGEM:
A superdosagem de Gramaticol não é desaconselhada, pelo contrário, é altamente recomendável, predominantemente para muitas mulheres, haja vista que, mesmo após a superdose, ainda assim houve relatos do uso indiscriminado de “obrigado” e “obrigada” por elas. Estas pacientes inspiram maiores cuidados, o que requer uma megasuperdosagem para combater a infecção generalizada.

► DIZERES LEGAIS:
Siga corretamente as orientações e o modo de usar. A persistirem os sintomas, um bom especialista lexicográfico deverá ser consultado: Aurélio, Houaiss, Michaelis. Ou o clínico-geral: Dr. Google. Se o quadro evoluir para um estágio avançado, talvez nem o prof. Pasquale dê jeito. Nos casos de maior gravidade, o paciente deverá ser internado às pressas em uma biblioteca mais próxima para tratar os vícios de linguagem, e só deverá receber alta quando voltar a si e deixar de emitir ruídos estranhos e enunciados desconexos, a saber: “pra mim fazer”, “duzentas gramas de mortandela”, “eu tinha falo com ela”, “agente vamos embora”. Ao atingir este estado crítico, infelizmente os prognósticos são os mais pessimistas possíveis.

► PRECAUÇÕES E ADVERTÊNCIAS:
– Este medicamento não deve ser mantido fora do alcance de crianças e adultos, sejam leigos ou letrados;
– Se você é hipocondríaco, inclua esse remédio em seu cardápio fármaco. A automedicação só será perigosa se você não souber o significado de hipocondríaco;
– Gramaticol não tem prescrição obrigatória, não é vendido em nenhuma farmácia e não fará milagres se você tiver “poblemas”;
– Não aceite genéricos, pois só o Gramaticol tem em sua fórmula o componente gramatiterapêutico acordo ortográfico, que elimina a dor de cabeça e o acento de cefaleia.

Comentários

  1. Tatiane de Oliveira Souza says

    É muito interessante seu texto pela forma como você aborda a questão da gramática, mas soa altamente preconceituoso!! Não saber gramática não é uma doença. É simplesmente compreensivo quando adotamos uma pedagogia culturalmente sensível, ou seja, respeito pela cultura linguística do outro para, e só a partir de então, conseguir inseri-lo no pólo normativo tornando-o letrado. A língua é viva e, por assim ser, muda com o tempo e varia no espaço tornando-se adequada aos seus falantes. Negar a forma de falar do outro só porque ele não é gramatical é negar sua cultura, pois o que a estabelece é a sua liguagem. Segundo Marcos Bagno (Nada na língua é por acaso: por uma pedagogia da variação linguística, 2007, p. 70) “se por gramática entendermos o estudo sem preconceito do funcionamento da língua, do modo como todo ser humano é capaz de produzir linguagem e interagir socialmente através dela, por meio de textos falados e escritos, portadores de um discurso, então, definitivamente é para ensinar gramática, sim.”

    • carla maria says

      Na minha perspetiva, não vejo como poderá este texto ser catalogado como “preconceituoso”, pois se tivermos “se eu ver…”/ “dissesteS (presente do indicativo do verbo dizer, segunda pessoa do SINGULAR)/ “vocês sois…” para além dos exemplos que o Gramaticol se propõe atalhar, não teremos diferenças culturais como diz, mas sim patologias graves de gramaticite!!!! Sendo algumas delas mais graves se, para alem das realizações linguísticas orais incorrectas, passarem para a ortografia!!!!!!!! Aí é mesmo ERRO!!!!!
      Os exemplos apresentados não fazem parte da negação “da forma de falar do outro”, nem tão pouco da “sua cultura” ou sequer da variação linguística capaz de operar transformações ao longo dos tempos!!!!!! Deve estar a confundir, cara Tatiana, com aquilo a que, em linguística, se chama REGIONALISMOS ou alterações linguísticas decorrentes do decurso do tempo ou de diferentes realizações orais como por exemplo \vinho agre } vinagre, \pharmacia } farmácia … Ou ainda a dupla variação de \oiro/ouro/ \….

    • Valniria says

      Achei extremamente irônico e preconceituoso. Quentodos possam se comunicar de acordo com as expressões que conseguii adquirir ao longo da vida. E viva a comunicação!!!!!! Comunicação para todos, sem exceção, até para os que dominam a linguagem “inculta”!!!!

  2. Regina says

    Caro Jô Souza. Muito criativo. Muito interessante. Tenho a discordar da prescrição do Gramaticol para casos em que o paciente faça uso do acento grave da crase antes de palavras masculinas em contextos tais como: “Gramaticol é indicado ÀQUELES que sofrem de gramaticite aguda”. Em outros casos, sim, Gramaticol é altamente recomendável. Isso por que a crase é a fusão de dois AA, sendo tal fenômeno provocado por uma palavra que, terminando com a letra “a”, a ela segue-se imediatamente outra começando com “a”. No exemplo dado, o “A” acentuado com o acento grave significa que o remédio foi indicado A Aqueles que sofrem… – onde o primeiro A é uma preposição e o segundo A é a letra inicial do pronome “aqueles”. Houve, pois uma fusão, ou, se quiser dizer, uma mistura, que no grego era denominada de krásis.
    Cordiais Saudações!

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