Diferença entre Classe Gramatical e Função Sintática

Dou aula de português há alguns anos e vejo que muitos alunos têm dificuldade de entender o que é classe gramatical e função sintática: duas partes relevantes da gramática. Digo que saber essa diferença é imprescindível no estudo da língua portuguesa, assim como a tabuada é essencial no estudo da matemática. São duas análises completamente diferentes. A classe gramatical (CG)  analisa a palavra isoladamente e a função sintática (FS) analisa a palavra relacionada a outras dentro de uma oração. Vamos começar com um exemplo bem simples:

A casa é bonita. 

A → artigo definido (CG) / adjunto adnominal (FS)
casa → substantivo (CG) / núcleo do sujeito (FS)
é → verbo (CG) / verbo de ligação (FS)
bonita → adjetivo (CG) / predicativo do sujeito (FS)

A casa – Sujeito Simples (FS)
é bonita – Predicado Nominal (FS)

Fixe-se no seguinte: na análise morfológica, cada palavra é  analisada como se fosse única. Já na análise sintática,  os termos são analisados em conjunto, o importante é descobrir a função que as palavras desempenham no meio de um determinado contexto linguístico. Quando a análise sintática é feita junto à morfológica, ela recebe o nome de análise morfossintática (exatamente o que foi feito no exemplo acima).

soma

Veja quais são as 10 classes gramaticais:

  • substantivo
  • artigo
  • adjetivo
  • pronome
  • preposição
  • verbo
  • advérbio
  • numeral
  • conjunção
  • interjeição

Agora veja quais são os termos que fazem parte da análise sintática:

  • Sujeito
  • Predicado
  • Objeto Direto
  • Objeto Indireto
  • VTD/VTI/VTDI/VI/VL
  • Predicativo do Sujeito
  • Predicativo do Objeto
  • Adjunto Adnominal
  • Adjunto Adverbial
  • Complemento Nominal
  • Agente da Passiva
  • Vocativo
  • Aposto

Mais alguns exemplos:

Meus pais moram em Londres.

Meus  → pronome possessivo (CG) / adjunto adnominal (FS)
pais → substantivo (CG) / núcleo do sujeito (FS)
moram → verbo (CG) / verbo intransitivo (FS)
em Londres → locução adverbial (CG) /adjunto adverbial (FS)

Meus pais – Sujeito Simples (FS)
moram em Londres – Predicado Verbal (FS)

Nós precisamos de água urgentemente.

Nós → pronome pessoal reto (CG) / sujeito (FS)
precisamos → verbo (CG) / verbo transitivo indireto (FS)
de → preposição (CG) / não tem função sintática
água → substantivo (CG) / núcleo do objeto indireto (FS)
urgentemente → advérbio (CG) / adjunto adverbial (FS)

Nós – Sujeito Simples (FS)
precisamos de água urgentemente – Predicado Verbal (FS)

Aquele policial pedia calma aos manifestantes.

Aquele → pronome demonstrativo (CG) / adjunto adnominal (FS)
policial → substantivo (CG) / núcleo do sujeito (FS)
pedia → verbo (CG) / verbo transitivo direto e indireto (FS)
calma → substantivo (CG) / objeto direto (FS)
manifestantes → substantivo (CG) / núcleo do objeto indireto (FS)
aos → combinação (a + os) – preposição + artigo

Aquele policial – Sujeito Simples (FS)
pedia calma aos manifestantes – Predicado Verbal (FS)

cg e fs

43 Comentários

  1. Boa tarde, Céu. Gostaria, se pudesse, fazer análise sintática e classe gramatical da frase abaixo (trabalho escolar)

    “Veja 6 atitudes que podem prejudicar a carreira profissional”.

    No aguardo

    Agradeço.

  2. Állan Gavilan 26 de agosto de 2016 at 02:17

    Professor estou com dificuldade em descobrir o que é função sintática nominal.

    “Um não muda toda uma história.”
    não =substantivo (morfologia)
    núcleo de uma função sintática nominal. (segundo a explicação porque não há verbo, por isso Função sintática nominal)
    Aqui na explicação diz que não há verbo função sintática. “Um não/…”
    Beleza, mas o muda não é verbo? Tá certo que normalmente dividimos o sujeito do predicado riscando antes do verbo ou seja o verbo é núcleo do predicado, pertence ao predicado.Logo não há verbo na parte da oração “Um não/ ” Resumindo não sei reconhecer a diferença de uma função sintática verbal e nominal pois o “risquinho /” sempre deixa o verbo de um lado, no caso do predicado,
    É muita viagem, hehe.

    • Állan Gavilan 26 de agosto de 2016 at 02:18

      Ou seja, antes do risquinho é função sintática nominal, e depois do risquinho função sintática verbal?

  3. Jailton 11 de maio de 2016 at 20:10

    Gostei dos comentários porque tem explicaçäo claras e amo estudar a língua portuguesa, estou termimando a graduaçäo em Letras.

  4. Jean 11 de maio de 2016 at 00:47

    É mais fácil para MIM terminar o trabalho do que para ele.

    Por que o MIM está correto na frase?

    • Céu Marques 11 de maio de 2016 at 14:11

      Mudando os termos da frase:
      Terminar o trabalho é mais fácil para mim do que para ele.

    • Luciano 11 de maio de 2016 at 21:00

      Porque é uma oração subordinada substantiva reduzida de infinitivo.

  5. fellipe 15 de abril de 2016 at 12:59

    Muito esclarecedor. Parabéns, Céu. Sou fã do seu trabalho.

  6. Maria Alice 3 de março de 2016 at 22:29

    Meus parabéns!! Estava procurando um site que a resposta fosse desse jeitinho, demorei mais encontrei esse 🙂
    Ameeeei <3

  7. rayane 25 de fevereiro de 2016 at 16:25

    a analise sintática tem diferença da função sintática?

    • Céu Marques 25 de fevereiro de 2016 at 18:11

      Não. Você pode ter um exercício pedindo de forma diferente a mesma coisa: faça a análise sintática ou dê a função sintática.

    • Jocélio 15 de abril de 2016 at 13:28

      Rayane, como o próprio nome diz, a análise sintática consiste na investigação acerca da função sintática da cada palavra na oração.

  8. gRaciely Mara 13 de janeiro de 2016 at 08:57

    Parabéns, pela iniciativa. Deus lhe abençoe muito!!!

  9. Todo aluno durante seus estudos no colégio, deveria ter como base todos estes conceitos. Por que será que eles não conseguem? Esta é a grande incógnita que vivemos. Ambos os lados se justificam: professores e alunos, mas o problema é real. Alguém do alto escalão do Ministério da Educação deveria dar a receita correta para solucionar esta equação. Enquanto isso, vamos conviver com o problema se agravando cada vez mais. Os alunos que recebemos na Faculdade, com exceções, é lógico, chegam com muita dificuldade. Estamos tentando solucionar, mas até o momento ninguém de nenhuma faculdade ou universidade assinalou o caminho certo. Diante desse impasse, o melhor é remediar e enfrentar a situação da melhor maneira que cada um de nós professores possamos oferecer.

    • Edson tosta 24 de janeiro de 2016 at 15:49

      O problema da real situação não é dado somente ao ensino público, pois lá temos professores que passou por uma Faculdade ou Universidade. A esse fator de dificuldade dos acadêmicos com a Língua Portuguesa eu atribuo aos dois lado da moeda: Instituições Públicas e particulares, os cursos de Letras estão defasados e em muitas instituições os próprios professores tem dificuldades com a Língua na sua totalidade, é lastimável que alunos e acadêmicos passam por isto. Ninguém é perfeito, mas os cursos de Letras deveria priorizar mais o ensino de Língua Portuguesa.

  10. Edmilson Costa 12 de novembro de 2015 at 16:20

    Muito bom. Parabéns, pelo lindo e importante trabalho!

    • Andreia 12 de janeiro de 2016 at 17:42

      MAS EU ACHAVA Q MORAR ERA VERBO TRANSITIVO DIRETO…

      • Jussier Soares Pereira 31 de janeiro de 2016 at 01:28

        Não existe verbo transitivo direto ou indireto. O contexto determina se o verbo é transitivo direto ou indireto. Portanto um mesmo verbo pode ser em uma oração transitivo direto e em outra transitivo indireto.

  11. cayê 3 de outubro de 2015 at 00:44

    “…AOS…” a= sintagma preposicional;
    os = artigo definido masculino plural (CG), adjunto adnominal (FS)

  12. monica 12 de setembro de 2015 at 03:04

    Olá eu sou italiana nas morei no Brasil por muitos anos e aprendi a língua portuguesa, quero dizer que suas explicações tem acrescentado muita coisa ao que já sabia obrigada!

  13. Igor 11 de setembro de 2015 at 17:20

    Fantástico a abordagem, prezou pela simplicidade, porém analisou por completo a morfossintaxe.

  14. arletez.gehm@yahoo.com.br 6 de setembro de 2015 at 23:29

    Boa noite ! na frase Meus pais moram em Londres. Em Londres pode ser objeto indireto?

    • Céu Marques 7 de setembro de 2015 at 12:11

      Não. A função sintática de “em Londres” é adjunto adverbial de lugar e a classe gramatical é locução adverbial de lugar.

      • CAMILA 12 de setembro de 2015 at 00:11

        Conforme HOUAISS, em “Meus pais moram em Londres”, “moram” é verbo transitivo indireto (preposição em).

    • cayê 3 de outubro de 2015 at 00:46

      Não, pois o verbo é intransitivo.

      • Henrique 7 de outubro de 2015 at 12:19

        Mas “quem mora” mora em algum lugar, portanto verbo transitivo e não intransitivo, certo? Não concordo com Houaiss

  15. Vania 14 de julho de 2015 at 19:53

    Adorei as explicaçoes,pois relembrei o que estudei com meu professor de Portuguěs.Ė sempre bom rever para aprimorar a nossa līngua.

  16. Jamile 11 de julho de 2015 at 11:50

    Minha professora de português aplicava, toda semana, exercícios de morfossintaxe. Desde a 5a até a 8a série ela acompanhou a turma. Isso há aproximadamente 15 anos. E até hoje lembro desses exercícios.

  17. Elen 10 de julho de 2015 at 19:27

    Adorei a explicação. Me ajudou muito. Parabéns!

  18. Ana Maria da silva 3 de julho de 2015 at 18:17

    Excelente! Compreendi perfeitamente. Parabéns. Muito obrigada.

  19. clarice 3 de julho de 2015 at 16:17

    Adoro aprender com vc bem simples

  20. simone valerio 2 de julho de 2015 at 23:12

    Maravilhoso perceber a habilidade de um bom mestre !! Explica
    ção clara e muito útil, obrigada.

  21. Rodrigues Luciano 28 de junho de 2015 at 05:26

    A exposição tornou o caso mais claro! muito obrigado.

  22. Terezinha de Castro Antunes 21 de junho de 2015 at 11:32

    Definitivamente claro e objetivo. Sou professora de Língua portuguesa. Os alunos têm dificuldades em compreender as duas coisas. muito bom! !

  23. Paulo Gilberto Morais dos Santos 20 de junho de 2015 at 19:57

    Uma aula em linguagem bastante compreensível.

  24. Regina Araújo 17 de junho de 2015 at 19:26

    Muito boa explicação, bem clara

  25. lenize cristina 17 de junho de 2015 at 07:56

    Adorei a explicação. Sem enrolaçao.

  26. Fatima 17 de junho de 2015 at 07:10

    Adorei recordar, depois de tantos anos sem estudar.

  27. Oséas arruda 17 de junho de 2015 at 00:48

    Olá, boa noite. Já faz algum tempo que curto, e de mais o seu FACE(Língua portuguesa), Já faz muito tempo que parei de estudar(uns 24 anos), e gostaria muito que vc. me indicasse uma GRAMATICA que me ajudasse eu aprender mais sobre a Língua Portuguesa.; tanto para escrever melhor, e entender a língua Portuguesa. Desde já muito obrigado.

  28. Rita de Cassia 16 de junho de 2015 at 21:39

    Myito boa a explicação sobre classe gramatical e função sintática. Adorei.

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